domingo, 17 de novembro de 2013

Gritos da cidade

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A verdade puramente crua
é um lugar distante de nós
onde a mentira traja-se nua
em campo selvagem e atroz.

Mendigando a razão que lhe protegia,
a falácia copiada dos outros,
o argumento vago que escondia
o medo que aterroriza-nos.

As coisas que sempre fugimos,
damos de ombros exitantes,
pois aos sustos ainda ouvimos
os seus gritos agonizantes.

Recorremos ao que conhecemos,
queremos a luz que a fasta o escuro,
a ignorância daquilo que não vemos,
que repugnamos, que não é seguro.

Ganhamos o dia ao fugir:
conseguir diariamente viver.
É o fim que a nós sorri,
é o monstro que a ti vem comer.

O teu dia é medo, tua noite ânsia:
acordado analisas os riscos,
dormindo sonhas a infância
onde ainda não ouvias os tais gritos.

domingo, 25 de agosto de 2013

Êxodo Urbano



Jovens desfrutam do simples existir,
senhores pastoram a harmonia,
picos em nuvens contrastam-se
e ferem meus olhos com utopia.

Entre os portais das estradas
um oásis surpreende-me ao vislumbre:
com uma tribo que não anda apressada,
inocência que ao mundo não sucumbe.

Quão matuto foi o metropolitano
sem entender a paz ou a quietude
com seu bruto olhar leviano
acostumado a sempre preocupar-se.

Uma experiecia transcedental,
fui mais longe do que posso contar,
longe do perturbadoramente imoral
onde a paz nunca prevalecerá.

Intrigando-me a cada ato
como soberbo ímpio
sem me dar conta do fato
que ali era eu o verdadeiro índio.

E já dendo partida datada,
o tempo fez o seu duro oficio.
Comeu-se em cada linda alvorada
fazendo aquele mundo a mim (outra vez) fictício.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Voo no vácuo


Que sono, meu grande amor.
O peso do corpo maciço
introjectando-se em meu íntimo,
meus sentidos já quase omissos.

Internado pela saudade de ti
acabei outra vez morrendo.
Dormi em ti, acordei em mim,
meu próprio eu (des)personificando-o

Tudo semelhantemente estranho,
e marionete de mim mesmo,
revelando-se-me os próprios enganos

O teu eu me chama a dançar.
Um universo finalmente projeta-se
(eufêmica onipresença sem dúvida)
que sem desnecessárias lógicas enlaça-se.

Unidos pelo meu criacionismo,
teu rosto desliza-me como água.
Tua essência em meu metrônomo
enamorando-me sem árdua.

Navegando em um anoitecer
eu te beijo demoradamente...
e o mundo já não havia-se,
de novo minha alma em meu corpo falece.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Amorocracia



Leio sobre fraudes ao povo,
Sobre o conformismo alheio.
Mas não entendo o estorvo
De recamar-se ao devaneio.

O povo pede apenas paz,
Eles respondem alienando
Com uma droga incapaz
De manter o povo concordando.

Geram a pobreza e a fome,
Roubam mais do que gastam!
E que o povo não se informe,
Mas são culpados do que passam...

Os homens só precisam de amor.
Quando se verazmente amado
O homem relaxa sem pudor,
Mesmo estando-se acordado.

Só bastaria dar todo o necessário
E um país se anestesiaria
Pois é maior o otário,
O que recebe veneno de cortesia.

Deserto dos meus sonhos



Chega mais perto, meu dengo.
Deixa-me sentir tua pele.
Bem sabes as saudades que tenho
Desse cheiro que me entorpece.

As minhas noites são secas
Neste deserto de solidão.
Siga minha voz e não a perdas,
Basta ouvir seu coração.

Meus sonhos me engolem
E tomam o corpo encolhido.
E até que os sentidos retornem
Eu te terei comigo

Amanhã, talvez, hoje já,
Possa sonhar com o dia
Em que vou te encontrar
E então, será finda a agonia.
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