sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O Morto morto


Pensar nem sempre é existir,
vivos nem sempre pensam.
Há muitos que desconheçam
o porque de estarem respirando.

Eu "só" queria o tempo
-mas todo, e metade dele.
Como quem da própria mão
um encanto colorido desfere
e resolve a própria existência.

Tenho medo do despertar,
ele é o choque de real amargo.
O que me faz suspirar fundo
em um pesado afago.
Parece que a alma me sai.

Entro e saio, vou e volto.
Vida não se muda,
a chuva não chove,
o sol nem se vislumbra.
Estou só há quanto?

Raspo meu rosto usado
mas meu pelo ainda lá,
me diz que o tempo passou.
As lembranças de minha vida
que diferenças dos sonhos têm?

domingo, 17 de novembro de 2013

Gritos da cidade

.
A verdade puramente crua
é um lugar distante de nós
onde a mentira traja-se nua
em campo selvagem e atroz.

Mendigando a razão que lhe protegia,
a falácia copiada dos outros,
o argumento vago que escondia
o medo que aterroriza-nos.

As coisas que sempre fugimos,
damos de ombros exitantes,
pois aos sustos ainda ouvimos
os seus gritos agonizantes.

Recorremos ao que conhecemos,
queremos a luz que a fasta o escuro,
a ignorância daquilo que não vemos,
que repugnamos, que não é seguro.

Ganhamos o dia ao fugir:
conseguir diariamente viver.
É o fim que a nós sorri,
é o monstro que a ti vem comer.

O teu dia é medo, tua noite ânsia:
acordado analisas os riscos,
dormindo sonhas a infância
onde ainda não ouvias os tais gritos.

domingo, 25 de agosto de 2013

Êxodo Urbano



Jovens desfrutam do simples existir,
senhores pastoram a harmonia,
picos em nuvens contrastam-se
e ferem meus olhos com utopia.

Entre os portais das estradas
um oásis surpreende-me ao vislumbre:
com uma tribo que não anda apressada,
inocência que ao mundo não sucumbe.

Quão matuto foi o metropolitano
sem entender a paz ou a quietude
com seu bruto olhar leviano
acostumado a sempre preocupar-se.

Uma experiecia transcedental,
fui mais longe do que posso contar,
longe do perturbadoramente imoral
onde a paz nunca prevalecerá.

Intrigando-me a cada ato
como soberbo ímpio
sem me dar conta do fato
que ali era eu o verdadeiro índio.

E já dendo partida datada,
o tempo fez o seu duro oficio.
Comeu-se em cada linda alvorada
fazendo aquele mundo a mim (outra vez) fictício.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Voo no vácuo


Que sono, meu grande amor.
O peso do corpo maciço
introjectando-se em meu íntimo,
meus sentidos já quase omissos.

Internado pela saudade de ti
acabei outra vez morrendo.
Dormi em ti, acordei em mim,
meu próprio eu (des)personificando-o

Tudo semelhantemente estranho,
e marionete de mim mesmo,
revelando-se-me os próprios enganos

O teu eu me chama a dançar.
Um universo finalmente projeta-se
(eufêmica onipresença sem dúvida)
que sem desnecessárias lógicas enlaça-se.

Unidos pelo meu criacionismo,
teu rosto desliza-me como água.
Tua essência em meu metrônomo
enamorando-me sem árdua.

Navegando em um anoitecer
eu te beijo demoradamente...
e o mundo já não havia-se,
de novo minha alma em meu corpo falece.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Amorocracia



Leio sobre fraudes ao povo,
Sobre o conformismo alheio.
Mas não entendo o estorvo
De recamar-se ao devaneio.

O povo pede apenas paz,
Eles respondem alienando
Com uma droga incapaz
De manter o povo concordando.

Geram a pobreza e a fome,
Roubam mais do que gastam!
E que o povo não se informe,
Mas são culpados do que passam...

Os homens só precisam de amor.
Quando se verazmente amado
O homem relaxa sem pudor,
Mesmo estando-se acordado.

Só bastaria dar todo o necessário
E um país se anestesiaria
Pois é maior o otário,
O que recebe veneno de cortesia.

Deserto dos meus sonhos



Chega mais perto, meu dengo.
Deixa-me sentir tua pele.
Bem sabes as saudades que tenho
Desse cheiro que me entorpece.

As minhas noites são secas
Neste deserto de solidão.
Siga minha voz e não a perdas,
Basta ouvir seu coração.

Meus sonhos me engolem
E tomam o corpo encolhido.
E até que os sentidos retornem
Eu te terei comigo

Amanhã, talvez, hoje já,
Possa sonhar com o dia
Em que vou te encontrar
E então, será finda a agonia.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Paciente


Dividindo o mundo vivo,
embarcado neste transporte
entre o morto e o ativo,
traço minha realidade disforme.

Os outros ao meu redor
conseguem viver em paz,
basta ignorar o seu sabor
e nunca olhar para traz

Estando sempre disposto
a servir quem lhes convenha,
os homens vão criando encostos
para que os entretenha.

Nunca se dispõem a pensar
sempre querem viver algo,
procuram quem os ajudará
a viver no mundo, afogado.

Contraio meus impulsos,
sem revelar minhas agonias.
amontoando os meus entulhos
e acumulando dislalias.

Amargurado, sim eu sei,
mas o determinismo quem o fez,
pois até o dia que morrerei
minha enfermidade não entendereis.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uma Nova escola literária


Estão desacreditados os poetas,
aqueles que já encontraram o mundo,
hoje, são apenas românticas facetas
mal lidos aos olhos de qualquer vagabundo.

Rapidamente o poema se foi,
deixou para trás os bons costumes.
Sobrou alguém que o caçoe
humilhando estes épicos vislumbres.

Restou o acessível obvio,
tudo se transformou em mero comércio:
entender sem precisar estar sóbrio,
consumistas do não estético.

O mundo continua e gira calado,
conformado e sem saber o que dizer,
enquanto balbuciam ao meu lado
que ensinar não é modo de se viver.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Férias da Rotina



Ficarão velhos aqueles que brincaram,
se portarão como adultos, as velhas crianças.
Em alguma triste rotina enfadar-se-ão
fazendo-se sumir dos olhos as esperanças.

Estiveram tão felizes um dia,
hoje, os rostos relaxados ao espelho
revelam o que outrora não se via:
a verdade em seu rosto derradeiro.

Rindo com qualquer bobagem,
que os alivie ou lhes afague
Um momento reflexo de vertigem
que lhes brote um sorriso alegre

Internalizando feridas alheias,
adultos são crianças com birras diferentes:
"tu te tornas o que semeias
e ignoras o que não entendes"

As pessoas vão se abandonando,
às vezes, deixam de pensar,
não lhes importa o que estão ouvindo,
apenas a maneira de chegar.

Sua vida é como o último verso,
preguiçoso, porém constante.
Que fiquem as crianças em seu universo.
Pois mais feliz é o ignorante.

sábado, 29 de setembro de 2012

Quem?


Quem somos nós, bravos universitários?
Trajando-se para uma guerra,
os vencedores formando-se
em ilusões já tão ermas.

Uns de pronto são abatidos
e pelo caminho da vida
vão se tornando esquecidos
que desertaram à rotina.

Entre paixões e perigos
somos surrados com espinhos
da nossa casa, o exílio,
sofrendo por todo o caminho.

Mesmo sabendo disso tudo
teremos nós que continuar
não desistir nem um segundo
em busca do um dia que se poderá.
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